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[Terça-feira, Agosto 28, 2007]
Muito se falou sobre a estréia d’Os Simpsons, o filme. Eu li em diversos veículos muitas críticas favoráveis e um maço de elogios, todos eles recorrentes ao humor peculiar, às paródias e às referências à cultura pop. Eu não discordo completamente dos elogios. Os Simpsons emplacam a 3ª semana na liderança de bilheteria no Brasil e 7º lugar no ranking dos EUA, na sua 6ª semana. Tal feito tornou-se ainda mais valioso devido ao fato de que se trata de um filme em 2D, gênero que foi substituído pelas superproduções de animação gráfica em 3D como Shrek ou A Era do Gelo – DreamWorks e Fox Animation Studios, respectivamente.
Mais que isso. Os Simpsons, o filme, se vale dos mesmos valores presentes no seu seriado: provocações à esfera política e ao próprio sistema – como logo no início do filme em que Homer chama todos os expectadores de otários por estarem pagando o que poderiam ver em casa de graça –, piadas no maior estilo pastelão e muito non-sense. Tudo isso fez a família amarela se tornar quase uma unanimidade no quesito seriado animado para a televisão.
A primeira parte do filme tem todos esses ingredientes. Eu me daria por satisfeita se a história fosse condensada e finalizada nos primeiros 45 minutos da trama. Os Simpsons foi projetado para ser uma série de TV, com duração máxima de 20 minutos. Por mais que tenha havido preocupação por parte dos seus roteiristas – o texto do longa começou a ser trabalhado no ano de 2003 –, não houve sucesso em adaptar a série para a duração de 90 minutos.
Acredito que não funcionou. Na segunda metade do filme, eu – acreditem – quase dormi. Tudo bem que isso pode ser justificado pelo meu cansaço pessoal, mas acredito que, se o filme fosse realmente bom, eu não passaria a olhar para o relógio de 5 em 5 minutos e a pedir para que ele acabasse logo. Os Simpsons começa com uma enxurrada de piadas geniais – como a do Porco-Aranha que me fez rir por longos minutos – que parecem se repetir do meio para o final. O filme torna-se maçante, cai de nível e eu só voltei a rir quando uma piada do início foi repetida. “Peraíí, peraíííí, peraíííí” dito por Homer é um dos pontos altos do filme. O mal é que eu fiquei mesmo esperando o filme engatar, coisa que não aconteceu.
postado por Larissa Oliveira | 17:23 |
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[Sexta-feira, Agosto 10, 2007]
Eu não sei vocês, mas eu tenho uma vergonhosa lista de filmes que nunca assisti. Desde que eu resolvi fazer uma lista -- há um ano, se não me engano --, eliminei nomes como Encontro Marcado e Bonequinha de Luxo. Apesar do meu esforço, ainda sobram na lista filmes como Virgens Suicidas, Ed Wood e Scarface. Deprimente, eu admito, mas ontem eu tirei da lista mais um desses que todo mundo já viu, menos eu.
Antes de dizer de qual filme eu estou falando, gostaria de deixar claro o motivo de nunca ter assistido. Eu tenho trauma de filme de terror. Isso mesmo, desde que vi O Exorcista, ainda criança, e que passei uma semana tendo pesadelos com a cabeça da menina rodando, não os assisto. O mais perto que cheguei disso foi com O Sexto Sentido e O Mistério da Libélula, nenhum deles deveras assustador. Então, apesar de todos me dizerem que não se tratava de um thriller comum, eu demorei a reunir coragem para locá-lo, mas digo já de antemão que não me arrependi.
O Advogado do Diabo -- que você viu há séculos, eu sei disso -- foi visto por mim, ontem, com as precauções necessárias, é claro. Tarde ensolarada, cortinas escancaradas, gente em casa e almofadas ao redor, para impedir que alguma cena realmente aterrorizante chegasse aos meus olhos. Na realidade o filme tem, de fato, uma cena forte -- na qual a trilha sonora já te prepara o suficiente pra você esperar o pior -- e alguns rostos desfigurados, mas naaada perto de vômitos nem de cabeças rodando.
O filme de 1997 conta a história de um advogado -- Keanu Reeves que, até então, não era associado instantaneamente a Matrix -- que nunca havia perdido uma causa. Morando no interior com sua mulher -- Charlize Theron, que ganhou o Oscar de Melhor Atriz em 2003 por Monster --, Kevin Lomax desperta a atenção de uma grande firma de advogados em Nova York, a Milton, Chadwick & Waters, cujo dono é John Milton, magnificamente interpretado pelo Al Pacino. Ao mudar para NY, Kevin passa a defender causas impossíveis e ganha muito dinheiro, o que seria aparentemente normal caso o dono da firma não fosse quem é e se, por trás disso tudo, não tivesse um segredo -- revelado ao longo do filme.
Que o John Milton é o diabo em questão todo mundo já sabe desde mas, ainda assim, sua identidade é velada. Isso que torna o filme mais interessante, já que o expectador vai reunindo pouco a pouco provas da sua origem satânica assim como a Mary Ann -- Charlize -- que começa a perceber que há algo de errado com aquela firma, passando a ter visões e alucinações.
O Advogado do Diabo vai além da religião. Não é filme para quem acredita ou deixa de acreditar em Deus, diabo ou seres sobrenaturais. O filme é um convite a uma reflexão interna, ou ao conhecimento das nossas imperfeições. Com um roteiro bem construído, atuações marcantes e a falta -- graças a Deus! -- de apelo ao medo e ao susto, O Advogado do Diabo se vale de pequenos detalhes imprescindíveis e de uma constatação bem óbvia, mas que se torna maior ao ser exposta na telona. “A vaidade é um dos meus pecados favoritos”, diz John Milton em determinado momento do filme. Eu acredito em Deus, mas tive que tirar o chapéu para o diabo de Al Pacino.
postado por Larissa Oliveira | 17:29 |
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[Sábado, Junho 02, 2007]
A burguesia fede. A burguesia quer ficar rica...
Vamos combinar, essa onda de Salvador Shopping é mesmo divertida. Não por todas as qualidades e vantagens que o shopping novo oferece, como espaço, descargas a vácuo, livraria Saraiva e cafés, muuuitos cafés. Mais que isso, o empreendimento arquitetônico do momento trouxe ares diferentes à província baiana. Como posso dizer? Hum, cafés, Cinemark (chega, "Junho"!) e restaurantes com funcionamento independente não surgiram da terra das praias e do sol fulminante em pleno inverno. Concordam?
Ontem foi o aniversário do meu pai. Eu, muito espertamente, sugeri a ele que fôssemos jantar num daqueles-restaurantes-chiques-do-shop-novo. Ele riu, depois pensou um pouco e disse:
_Huum, então vamos lá. Vamos fazer uma gracinha, afinal, não faço 47 anos todos os dias. Vamos lá tirar ondinha.
Sim, ele disse "tirar ondinha". Meu pai é descolado. Tão descolado que eu dei pra ele uma camisa da Opção cinza com guitarras e dizeres de um festival estampados em preto. Tudo muito sóbrio, é verdade. Se tivesse algum tipo de "brilhinho" ele já ia dizer que se tratava de "viadagem". Coisas de pai descolado.
Pois então. Fui com o garotão de 47 anos pro restaurante Sérgio Arno. Chiquerééésimo. Decoração em preto e vermelho, adega a vista, garçons de All Star -- sim, é moda agora. All Star virou sinônimo de coisa chique -- e nada barato. O garotão não levou seus óculos, e eu tive que ficar lendo o cardápio pra ele.
_Lari, olha aí o preço do chopp.
_Hum, antes de te dizer, quanto você costuma pagar em um?
_Uns 2,60... 2,80... Mas diga logo aí, eu estou preparado.
_(respirei fundo) Bom, o chopp daqui, que deve vir com com efeitos visuais e sonoros, pra justificar seu preço, custa 3,60.
Meu pai não se importou. Indignou-se, é claro, mas disse que era o seu aniversário, uma vez a cada ano. Então, a partir daí passamos para a parte mais divertida de todas, a de observar as pessoas.
_Esse cara tá achando que tá onde? Se esse frio todo que ele tá sentindo chegar, estamos lenhados.
_Você ficou com invejinha dele. Ele tá é gatão.
_Tá, admito... Você me dá um casaco de couro igual ao dele de dia dos pais?
_E essa bróder de óculos escuros? É moda nova e eu não sei?
_Não, Lari, veja bem... É que ela esta mexendo no celular que emite ondas danosas a sua vista.
_Ah, é... Verdade. Na claridade presente no Sérgio Arno, óculos escuros são uma necessidade para protejer a retina.
_Sem dúvida. Em que mundo você vive, minha filha?
Comemos, pedimos a conta e, enquanto meu pai pagava, fez questão de perguntar:
_O restaurante está funcionando desde que o shopping abriu, não é isso?
_Sim, senhor. Desde o dia 22.
_Hum, e é coisa nova ou é filial?
_Filial, senhor. Filial de São Paulo.
C-L-A-R-O. Nada mais óbvio. E eu tô é gostando. Minha meta é experimentar todos os tipos de café em todas as cafeterias do shopping, torcendo, é claro, para que Salvador passe a ter invernos rigorosos de hoje pra amanhã. Nada mais uó que calor, suor e Lojas Americanas.
postado por Larissa Oliveira | 12:35 |
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[Terça-feira, Maio 22, 2007]
A cena acontece num ponto de ônibus, à noite. A(o) baterista Tonhão se bate com uma prostituta.
BATERISTA: Opa, desculpa...
PROSTITUTA: Tudo bem... Você tem um isqueiro?
BATERISTA: Tenho sim... Você deu sorte, eu não fumo. Esse aqui é de um maluco que eu peguei. (tira do bolso)
PROSTITUTA: Obrigada...
(o baterista se senta no meio fio e a prostituta devolve o isqueiro).
BATERISTA: Pelo visto, você gosta mesmo de fumar, hein?
PROSTITUTA: É, eu to tentando parar...
BATERISTA: (ironia) Claro, tô vendo! Eu já parei... Sabe o que eu fiz pra parar?
PROSTITUTA: Não, o quê?
BATERISTA: Comecei a comer. Gorduras são mais saudáveis que a nicotina, né, não, man?
PROSTITUTA: É o que dizem...
(silêncio)
PROSTITUTA: E você tá esperando alguém?
BATERISTA: Não, tô esperando o buzu. Porra, me meti numa briga da porra ali. O cara veio dizer que minha banda era ruim, eu me retei, rumei a porra nele! Ele veio pra cima de mim com esse isqueiro aqui, mas eu tomei da mão dele, haha.
PROSTITUTA: É? E você toca o quê?
BATERISTA: Metal. A melhor banda de metal de Salvador! Não tá dando muito dinheiro não, mas... Você curte?
PROSTITUTA: Curto...
(silencio)
BATERISTA: E você? Tá fazendo o que aqui, man?
PROSTITUTA: Você não sabe, não?
(o baterista olha pra ela intrigado)
BATERISTA: Não...
PROSTITUTA: Eu me vendo.
BATERISTA: (rindo) Porra! E eu achava que ninguém era mais fodido do que eu!
(silêncio)
PROSTITUTA: E aí? Vai querer?
BATERISTA: Eu? Eu não... Não gosto de pessoas, da última vez que me envolvi com uma mulher...
PROSTITUTA: Colé cara, você é gay?
BATERISTA: Colé? (levanta-se). Olhe bem pra mim! Eu lá pareço gay?
PROSTITUTA: (ela desconfia que o baterista pode ser, na verdade, uma mulher) Rapaz... Você tem sim uns traços bem femininos...
BATERISTA: Olhe! Eu só não te bato porque você é mulher, tá ligado!?
PROSTITUTA: Rapaz, você é gozado, viu?
BATERISTA: Não, gozado, não! Quem entende disso aí é você!
(silêncio)
(o baterista senta do outro lado)
BATERISTA: Venha cá, você cobra quanto?
PROSTITUTA: Depende...
BATERISTA: Depende do que?
PROSTITUTA: Do tamanho!
BATERISTA: (se olha, pensa um pouco) E se eu te disser que é enorme?
PROSTITUTA: (rindo) Enorme, é? Aí é mais barato...
BATERISTA: Ué, por quê?
PROSTITUTA: Por que dá mais prazer...
BATERISTA: Zorra... (pausa) Gostei de você, viu? Eu não sei nem porque tô aqui falando, não sou de muita conversa...
(silêncio)
BATERISTA: Por que você faz isso, hein?
PROSTITUTA: Porque sim.
BATERISTA: Porque sim o que, rapaz?! Tudo tem um porquê. Diz aí...
PROSTITUTA: Porque eu gosto!
BATERISTA: Gosta o que, man! Ninguém gosta de uma porra dessa, não!
PROSTITUTA: Já disse, porque eu gosto!
BATERISTA: Ah, é... CLARO! Você acordou num dia, deu vontade de foder com todo mundo e veio pra rua, é?
PROSTITUTA: (já de saco cheio, ela não gosta de falar disso). Eu fui expulsa de casa, por isso tive que vir pra rua. Satisfeito?
BATERISTA: Satisfeito....
(silêncio)
BATERISTA: E por que você foi expulsa? (dá uma pausa) Tô forçando a barra, né? Aí você não vai dizer nem com uma porra...
PROSTITUTA: Pois é....
BATERISTA: Meu buzu tá chegando ali. Vem cá, você tá aqui sempre?
PROSTITUTA: Depende...
BATERISTA: Depende, depende... Depende do que, man?
PROSTITUTA: Você tá com dinheiro sempre?
BATERISTA: Man, responda minha pergunta!
PROSTITUTA: Eu costumo ficar por aqui, sim...
BATERISTA: Falou, eu volto aqui depois e então a gente conversa...
PROSTITUTA: Falou, tchau...
FIM DE CENA.
Essa cena foi improvisada lá na minha turma de teatro na Sitorne. Eu faço o papel dessa baterista que é mulher, mas não se aceita como tal. Então, ela se veste, fala e age como um homem. Essa cena vai entrar na peça que estamos montando, mas não vou contar mais, senão perde a graça! =]
postado por Larissa Oliveira | 13:03 |
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[Quinta-feira, Maio 17, 2007]
Estava se sentindo bem hoje, e isso dificilmente acontece. Colocou um legging e uma blusa branca, justa e curta, e saiu pra sua aula.
Chamou o elevador, que subiu para o andar de cima. Na volta, ela entrou. Abriu a porta do elevador com o espelho e, ao levantar os olhos para se olhar -- sim, ela realmente estava se sentindo bem -- o viu. O Psicopata do 11° andar.
Não que ele fosse mesmo um psicopata que matasse pessoas e tudo, mas ele costumava olhar pra ela de um jeito tão estranho que ela tinha medo dele. Na maioria das vezes, fingia que ele não existia e, até então, estava indo muito bem. Até aquele momento.
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A sua namorada já estava lhe dando nos nervos. Cobrança demais. Pra que sair hoje de novo? Já não tinham saído ontem com a família dela e tudo? Esse grude demais tava minando o relacionamento. Assim, como que ele ia sentir saudades dela?
Mas ele resolveu não falar nada por telefone. Iria conversar com ela pessoalmente. Ela é uma mulher madura -- pensou --, vai compreender. Colocou a camisa branca e o perfume que ela gosta. Fechou todas janelas -- porque estava ameaçando chover --, pegou a chaves e chamou o elevador. Na hora! Mais dois segundos e o elevador já teria descido. Entrou, era o social, com espelho. Não estava muito afim de se olhar, nunca fora muito vaidoso e só tinha colocado aquela camisa para agradar a namorada.
Parou. A vizinha do 9° andar entrou. Ela tinha idade pra ser sua filha, mas ele já tinha tido uns bons sonhos com ela. Ela nunca tinha lhe dado bola e ele nunca havia tentado falar com ela. Até aquele momento.
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_Boa noite...
_Boa... Te vi no Pasta Fast ontem, era você mesmo?
_É.... era sim...
_Lá é bom, né?
_É, eu nunca tinha ido lá... Gostei...
(silêncio)
_Agora eu achei que minha porção veio muito pequena...
_Foi mesmo? (sorriso amarelo)
_Foi! A porção da MINHA NAMORADA veio enorme! Porçãozona! A minha veio um tiquinho de nada!
_He-he-he...
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Queria sair correndo dali. Que ridículo! Ele quis dizer o que falando da namorada? E ela fez tanto esforço pra desviar dele no restaurante ontem... Como ele não percebeu? Psicopata!
Foi ela entrar no elevador e ele a secou inteira. Afe! O fato é que ela tava de bom-humor, essa foi a sorte dele. Em dias normais, ela teria negado que estava no Pasta Fast e pronto, fim de assunto.
O elevador parou na garagem. Ele ficou esperando ela sair e ela foi esperta, esperou ele sair primeiro.
Dobrou para o lado contrário e percebeu que ele olhava pra sua bunda enquanto ela passava. Psicopata!
Pior que isso foi ele esperando ela sair com o carro. Ele ia começar a segui-la? Pois ela acelerou e saiu das vistas dele. Da próxima vez, vai pensar duas vezes antes de sair de legging e blusinha branca.
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Além de gostosinha, ela ainda era cheirosa. Era visível que ela não queria continuar papo nenhum, mas, ao menos, ao responder uma pergunta, ela olhava pra ele e, assim, ele podia olhar pra ela de volta.
O elevador parou e ele ficou esperando ela sair na frente, sabe como é, para dar aquela "conferida no material". Ela esperou ele sair primeiro, espertinha.
Dobrou para o lado inverso, mas não teve jeito. Como sua garagem era em frente, ela teve que passar andando por ele. Maravilha...!
Depois daquilo ele ia ter ótimos sonhos. Ligou o carro, colocou o cinto... Opa! Já estava sonhando acordado!
Ela já havia saído. O telefone tocou e era a sua namorada cobrando, pra variar. Será que se ele pedisse para ela usar um legging hoje à noite, ela se incomodaria?
postado por Larissa Oliveira | 12:53 |
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[Quinta-feira, Abril 26, 2007]
Dizem que quem dirige em Salvador dirige em qualquer lugar do mundo. Deve ter um certo exagero nisso aí, afinal, imagino eu que o trânsito de São Paulo deve ser o real campeão de trânsito mais infernal do planeta.
O fato é que, para dirigir em Salvador, não basta passar por todas as etapas da auto-escola e ter uma carteira de motorista à mão. É preciso ser, entre outras coisas, adivinho. Motorista atualizada que sou, resolvi elaborar algumas dicas de como se dar bem no trânsito de Salvador:
1. Para fugir dos espertos, basta ter um vidro elétrico, fumê e o pé constante no acelerador. Quando uma Pajero -- você tem um Ford Ka ou um Celta, é claro -- insistir em passar na sua frente, você faz cara de mau, olha pra frente, sobe os vidros e cola no fundo do carro da frente. Isso vai evitar ver a cara de mau do bróder da Pagero e evita discussões infundadas, afinal, quem está certo é você.
2. Se todo mundo estiver ultrapassando o sinal, ultrapasse também.
3. Faixa exclusiva pra ônibus é coisa de losers.
4. Esteja de bem com os astros e com sua intuição afiada porque NINGUÉM usa as setas em Salvador. O negócio é adivinhar quando neguinho decide parar o carro ou virar à direita.
5. Não respeite o limite da velocidade. Não há nada mais estressante do que receber sinais de luz ininterruptos. O negócio é seguir o fluxo.
6. Um bom amortecedor também ajuda porque há buracos que, simplesmente, insistem em devorar o seu carro. Impressionante.
7. Aprenda a usar a buzina, fortemente. Sinal de luz também é pra losers.
8. Para que discutir se existe o clássico sinal com o dedo indicador que quer dizer "Passe por cima, PORRA!"? Isso sim que é classe.
9. Quer voar? Se sentir no filme "Velozes e Furiosos"? Saia de casa às 6:15 da manhã. É o horário perfeito. 6:15 da noite? Só se você estiver muito afim de malhar a panturrilha na embreagem.
10. Quando a fila estiver grande, faça parte do time dos espertos e incorpore o "Pajero Way Of Life": não ligar a seta e ir metendo o carro na frente fazendo cara de mau. Mas APENAS quando a fila estiver grande e você estiver com muuuuita pressa... Lógico...!
postado por Larissa Oliveira | 12:04 |
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[Terça-feira, Abril 24, 2007]
Esse não se trata de um diário pessoal, mas eu fiz dois programas no sábado que me deram vontade de contar aqui. Vamos lá:
FEIRA HYPE: A Feira Hype acontece todos os sábados, das 13 às 20h no Pátio do ICBA (Corredor da Vitória) e o melhor, é de graça. O evento faz parte pelo Aparelho Cultural que, por sua vez, é sob a responsabilidade da Bit Media Tecnologia e Cultura, organização que fica no Goethe Institut de Salvador (Instituto Cultural Brasil-Alemanha). Traduzindo, o Aparelho Cultural pretende realizar uma série de eventos durante o ano tendo todos ligação com a arte, cultura, mídia e tecnologia.
Legal, né? Legal mesmo. Como o próprio nome sugere, na Feira Hype dá pra encontrar muitas coisas interessantes. CDs antigos, peças de roupa exclusivas, bolsas diferentes, revistas em quadrinhos e havaianas customizadas. As lojas que participam da Feira não são de shopping, muito pelo contrário. "Eu ainda fico muito apegada às coisas que eu faço, sem querer vender. Mas fico feliz em ver pessoas legais usando minhas bolsas", disse Rita, expositora da loja FilhadaMãe ao me vender uma cartucheira, bolsa estilo Lara Croft.
Além de compras, dá pra tomar um cafezinho, curtir um som -- no sábado passado, à tarde, tocava uma DJ -- e ainda levar o laptop já que, no ICBA, o esquema é wi-fi. Chique, benhê!
Site:
http://www.aparelho
cultural.com.br/feirahype/
LAMPIÃO: Mais um espaço para shows em Salvador, o Lampião é uma casa rosa localizada em Patamares -- perto do antigo colégio Diplomata. Segundo o baixista da banda Canibal Brasil, Vinicius Mendes, o Lampião já existe há dois anos. "E já pegou fogo umas duas vezes!", completa ele rindo. O fato é que o lugar é mesmo bom. A casa tem um espaço considerável se for comparado a outros locais clássicos como o Calipso ou o Idearium. Dá pra dizer que o Lampião dá uns 3 Calipsos brincando.
Espaçoso e arejado, lá tem lugar pra sentar e ficar à vontade, tem lanchonete e stand com vendas de CDs e camisetas de bandas. O palco também é de bom tamanho e tem até "camarim", um luxo.
Como eu cheguei ao camarim? Perguntei pro Vinícius onde tinha um banheiro. Fantasiei-me de groupie e o segui até o camarim. "Ué, mas e o espelho?", perguntei. "Ah, aí você já tá é querendo demais". É, aí também era demais também.

Foto do show da Minerva. Ainda peguei o final do show da Nitera, mas não deu pra ver a Canibal Brasil em ação.
Crédito da foto: Iana Durão.
postado por Larissa Oliveira | 21:56 |
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[Sexta-feira, Abril 20, 2007]

Acordei às 8 da manhã, consideravelmente cedo para um final de semana. Apanhei a agenda, e lá continha uma lista dos meus afazeres. Não se tratava de nada desesperador, mas, metódico que reconheço que sou, tinha tudo cronometrado. Tudo nos conformes. A hora do início de do final de todos os meus deveres do dia. Cumprindo aquela seqüência, respiraria aliviado ao final do dia e teria tempo de sobra para ir ao cinema.
Plano perfeito? Sem dúvida, mas ele havia sido destroçado por um único ser. Um ser no qual continha informações valiosas, armazenava peças de valor sentimental e no qual eu me apegara de vez.
Tudo começou no ano de 2001, quando percebi que estava ficando um tanto atrasado. Todos os meus conhecidos estavam anos-luz a minha frente, e eu, pessoa vaidosa e ambiciosa -- também reconheço -- não poderia ficar de fora de tal modernidade.
Pois, em setembro de 2001 eu já o tinha na minha casa. A adaptação inicial foi árdua. A comunicação quase não existia, faltava uma troca, uma sinergia, se é que posso assim dizer. Posso confessar também que, apesar de me considerar bastante inteligente, demorei longos seis meses para interagir com ele, hoje figura dócil e disciplinada.
Depois dos primeiros seis meses de diálogos tortuosos, eu já o considerava um filho e ele, sem dúvida, me considerava um pai -- um pai jovem, diga-se de passagem. Chamava-se Eros, o deus grego do amor. Não podia ser batizado de outro nome, afinal, tudo que ele me proporcionava só podia ser comparado ao mais sublime dos sentimentos.
Eros e eu éramos inseparáveis. Líamos juntos, ouvíamos música juntos, ríamos das mesmas piadas, admirávamos as mesmas mulheres. E o melhor: nós não éramos rivais. Eu, um cara competitivo que sei que sou, já havia saído ferido de diversas batalhas com amigos de longa data. Tudo isso por eles não quererem admitir que eu levava mesmo melhor jeito com as mulheres. Foi assim com o Júlio, com o Roberto, com o Arnaldo, mas com o Eros era diferente. Existia, entre nós, um companheirismo sem tamanho.
Vivíamos em profunda harmonia quando tivemos nossa primeira crise. Eros se recusava a acordar, por mais que o chacoalhasse e gritasse pelo seu nome. Por um momento, achei que o havia perdido, mas depois percebi que se tratava de um capricho. Tomei-me de uma cólera fulminante. Eu não era nenhum palhaço para suportar brincadeiras infantis. Eros, àquela altura do campeonato, já sabia que eu dependia dele e ele, sabedor da minha fraqueza, judiava de mim, com seus caprichos cada vez mais constantes.
Comecei a revidar. Inicialmente com pequenas batidas, depois com fortes socos e ameaças de jogá-lo pela janela. Hoje reconheço que fui um tanto duro e pago o preço do meu desejo de vingança.
Em pleno sábado, dia repleto de afazeres, Eros, simplesmente, não quis acordar. Já tentei de tudo. São 11 da manhã e eu nem comecei a cumprir minhas tarefas. A fúria me tomou por completo. Eu não havia percebido que minha obsessão pelo Eros me cegara. Ele tentou me dar sinais, e eu não os compreendi. Hoje, às 11:07, eu não posso fazer minha pesquisa no Google, nem encomendar no Submarino o novo CD do Modest Mouse que preciso criticar até a próxima semana.
Percebi, nesse curto espaço de tempo -- das 8 às 11:07 -- que não vivo sem meu computador, seu meu querido e amado Eros. Percebi também que não devo ser o único a sofrer desse mal, sufocante e alienante.
Resolvi que vou diminuir minha dose diária dele. Vou comprar jornais, ao invés de lê-los online. Vou sair do Orkut. Não entro mais no MSN. Falar comigo online, agora, é pra poucos amigos do Gchat.
Ai, meu Deus, me lembrei que não escrevi o texto sobre "A influência maléfica dos novos meios de comunicação na vida cotidiana" pro editor. E vou ter que levar o Eros a uma assistência técnica que o manterá longe de mim por, pelos menos, três dias... Droga! Vou demorar demais se tentar escrever tudo no papel... Alguém aí tem um laptop pra me emprestar?
postado por Larissa Oliveira | 12:50 |
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